Tempos incríveis

Vivemos em tempos incríveis.

A sonda Curiosity nos mostrou as rochas vermelhas de Marte. Felix Baumgartner pulou da estratosfera numa roupa de astronauta. Toda a tecnologia cenográfica causa suspiros nos espetáculos do Cirque du Soleil. Celulares com touch screen rodam apps que emulam a chama de um isqueiro, e conseguem nos arrancar o nosso fascínio por pelo menos uns 15 minutos.

A curiosidade humana é infinita, e a vontade do novo, imensa. É o que colocou o homem na Lua, o que financiou a produção de Avatar, o que enche os shows de mágica e faz com que os mais curiosos coloquem um papelzinho de ácido lisérgico debaixo da língua.

Queremos o que há de novo e queremos agora, ainda que depois do curto êxtase tenhamos de juntar nossas trouxas e seguir em busca de mais . Queremos possuí-lo completamente, ao ponto de finalmente consumi-lo e deixar pra trás um trilha de excrementos. Aí vamos atrás de mais, pois a barriga ronca.

Foi com essa fome que convivi com a religião por toda a minha vida. Frustrado com a falta de milagres, espetáculos luminosos diários e acontecimentos épicos, troquei a promessa de felicidade eterna pelos espetáculos que agradassem aos meus sentidos e saciassem, de forma passageira só que imediata, a minha fome infinita.

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